6. Módulos
**********

Ao sair e entrar de novo no interpretador Python, as definições
anteriores (funções e variáveis) são perdidas. Portanto, se quiser
escrever um programa maior, será mais eficiente usar um editor de
texto para preparar as entradas para o interpretador, e executá-lo
usando o arquivo como entrada. Isso é conhecido como criar um
*script*. Se o programa se torna ainda maior, é uma boa prática
dividi-lo em arquivos menores, para facilitar a manutenção. Também é
preferível usar um arquivo separado para uma função que você
escreveria em vários programas diferentes, para não copiar a definição
de função em cada um deles.

Para permitir isso, Python tem uma maneira de colocar as definições em
um arquivo e então usá-las em um script ou em uma execução interativa
do interpretador. Tal arquivo é chamado de *módulo*; definições de um
módulo podem ser *importadas* para outros módulos, ou para o módulo
*principal* (a coleção de variáveis a que você tem acesso num script
executado como um programa e no modo calculadora).

Um módulo é um arquivo contendo definições e instruções Python. O nome
do arquivo é o nome do módulo acrescido do sufixo ".py". Dentro de um
módulo, o nome do módulo (como uma string) está disponível como o
valor da variável global "__name__". Por exemplo, use seu editor de
texto favorito para criar um arquivo chamado "fibo.py" no diretório
atual com o seguinte conteúdo:

   # Módulo de números de Fibonacci

   def fib(n):
       """Escreve a série de Fibonacci até n."""
       a, b = 0, 1
       while a < n:
           print(a, end=' ')
           a, b = b, a+b
       print()

   def fib2(n):
       """Retorna a série de Fibonacci até n."""
       result = []
       a, b = 0, 1
       while a < n:
           result.append(a)
           a, b = b, a+b
       return result

Agora, entre no interpretador Python e importe esse módulo com o
seguinte comando:

   >>> import fibo

Isso não adiciona os nomes das funções definidas em "fibo" diretamente
ao *espaço de nomes* atual (veja Escopos e espaços de nomes do Python
para mais detalhes); isso adiciona somente o nome do módulo "fibo".
Usando o nome do módulo você pode acessar as funções:

   >>> fibo.fib(1000)
   0 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 144 233 377 610 987
   >>> fibo.fib2(100)
   [0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89]
   >>> fibo.__name__
   'fibo'

Se você pretende usar uma função muitas vezes, você pode atribui-lá a
um nome local:

   >>> fib = fibo.fib
   >>> fib(500)
   0 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 144 233 377


6.1. Mais sobre módulos
=======================

Um módulo pode conter tanto instruções executáveis quanto definições
de funções e classes. Essas instruções servem para inicializar o
módulo. Eles são executados somente na *primeira* vez que o módulo é
encontrado em uma instrução de importação. [1] (Também rodam se o
arquivo é executado como um script.)

Cada módulo tem seu próprio espaço de nomes privado, que é usado como
espaço de nomes global para todas as funções definidas no módulo.
Assim, o autor de um módulo pode usar variáveis globais no seu módulo
sem se preocupar com conflitos acidentais com as variáveis globais do
usuário. Por outro lado, se você precisar usar uma variável global de
um módulo, poderá fazê-lo com a mesma notação usada para se referir às
suas funções, "nomemodulo.nomeitem".

Módulos podem importar outros módulos. É costume, porém não
obrigatório, colocar todas as instruções "import" no início do módulo
(ou script , se preferir). As definições do módulo importado, se
colocados no nível de um módulo (fora de quaisquer funções ou
classes), elas são adicionadas a espaço de nomes global da módulo.

Existe uma variante da instrução "import" que importa definições de um
módulo diretamente para o espaço de nomes do módulo importador. Por
exemplo:

   >>> from fibo import fib, fib2
   >>> fib(500)
   0 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 144 233 377

Isso não coloca o nome do módulo de onde foram feitas as importações
no espaço de nomes local (assim, no exemplo, "fibo" não está
definido).

Existe ainda uma variante que importa todos os nomes definidos em um
módulo:

   >>> from fibo import *
   >>> fib(500)
   0 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 144 233 377

Isso importa todos as declarações de nomes, exceto aqueles que iniciam
com um sublinhado ("_"). Na maioria dos casos, programadores Python
não usam esta facilidade porque ela introduz um conjunto desconhecido
de nomes no ambiente, podendo esconder outros nomes previamente
definidos.

Note que, em geral, a prática do "import *" de um módulo ou pacote é
desaprovada, uma vez que muitas vezes dificulta a leitura do código.
Contudo, é aceitável para diminuir a digitação em sessões interativas.

Se o nome do módulo é seguido pela palavra-chave "as", o nome a seguir
é vinculado diretamente ao módulo importado.

   >>> import fibo as fib
   >>> fib.fib(500)
   0 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 144 233 377

Isto efetivamente importa o módulo, da mesma maneira que "import fibo"
fará, com a única diferença de estar disponível com o nome "fib".

Também pode ser utilizado com a palavra-chave "from", com efeitos
similares:

   >>> from fibo import fib as fibonacci
   >>> fibonacci(500)
   0 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 144 233 377

Nota:

  For efficiency reasons, each module is only imported once per
  interpreter session.  Therefore, if you change your modules, you
  must restart the interpreter -- or, if it's just one module you want
  to test interactively, use "importlib.reload()", e.g. "import
  importlib; importlib.reload(modulename)".


6.1.1. Executando módulos como scripts
--------------------------------------

Quando você rodar um módulo Python com

   python fibo.py <argumentos>

o código no módulo será executado, da mesma forma que quando é
importado, mas com a variável "__name__" com valor ""__main__"". Isto
significa que adicionando este código ao final do seu módulo:

   if __name__ == "__main__":
       import sys
       fib(int(sys.argv[1]))

você pode tornar o arquivo utilizável tanto como script quanto como um
módulo importável, porque o código que analisa a linha de comando só
roda se o módulo é executado como arquivo "principal":

   $ python fibo.py 50
   0 1 1 2 3 5 8 13 21 34

Se o módulo é importado, o código não é executado:

   >>> import fibo
   >>>

Isso é frequentemente usado para fornecer uma interface de usuário
conveniente para um módulo, ou para realizar testes (rodando o módulo
como um script executa um conjunto de testes).


6.1.2. O caminho de busca dos módulos
-------------------------------------

Quando um módulo chamado "spam" é importado, o interpretador procura
um módulo embutido com este nome. Estes nomes de módulo são listados
em "sys.builtin_module_names". Se não encontra, procura um arquivo
chamado "spam.py" em uma lista de diretórios incluídos na variável
"sys.path". A "sys.path" é inicializada com estes locais:

* O diretório que contém o script importador (ou o diretório atual
  quando nenhum arquivo é especificado).

* A variável de ambiente "PYTHONPATH" (uma lista de nomes de
  diretórios, com a mesma sintaxe da variável de ambiente "PATH").

* O padrão dependente da instalação (por convenção, incluindo um
  diretório "site-packages", tratado pelo módulo "site").

Mais detalhes em A inicialização do caminho de pesquisa de módulos
sys.path.

Nota:

  Nos sistemas de arquivos que suportam links simbólicos, o diretório
  contendo o script de entrada é resultante do diretório apontado pelo
  link simbólico. Em outras palavras o diretório que contém o link
  simbólico **não** é adicionado ao caminho de busca de módulos.

Após a inicialização, programas Python podem modificar "sys.path". O
diretório que contém o script sendo executado é colocado no início da
lista de caminhos, à frente do caminho da biblioteca padrão. Isto
significa que módulos nesse diretório serão carregados, no lugar de
módulos com o mesmo nome na biblioteca padrão. Isso costuma ser um
erro, a menos que seja intencional. Veja a seção Módulos padrões para
mais informações.


6.1.3. Arquivos Python "compilados"
-----------------------------------

Para acelerar o carregamento de módulos, o Python guarda versões
compiladas de cada módulo no diretório "__pycache__" com o nome
"modulo.*versão*.pyc", onde a versão corresponde ao formato do arquivo
compilado; geralmente contêm o número da versão Python utilizada. Por
exemplo, no CPython release 3.3 a versão compilada de spam.py será
guardada como "__pycache__/spam.cpython-33.pyc". Esta convenção de
nomes permite a coexistência de módulos compilados de diferentes
releases e versões de Python.

O Python verifica a data de modificação do arquivo fonte mediante a
versão compilada, para ver se está desatualizada e precisa ser
recompilada. É um processo completamente automático. Além disso, os
módulos compilados são independentes de plataforma, portanto a mesma
biblioteca pode ser compartilhada entre sistemas de arquiteturas
diferentes.

O Python não verifica as versões compiladas em duas circunstâncias.
Primeiro, sempre recompila e não armazena o resultado para módulos
carregados diretamente da linha de comando. Segundo, não verifica se
não houver um módulo fonte. Para suportar uma distribuição sem fontes
(somente as versões compiladas), o módulo compilado deve estar no
diretório de fontes, e não deve haver um módulo fonte.

Algumas dicas para especialistas:

* Você pode usar as opções "-O" ou "-OO" no comando Python para
  reduzir o tamanho de um módulo compilado. A opção "-O" remove as
  instruções assert, e a opção "-OO" remove, além das instruções
  assert, as strings de documentações. Como alguns programas podem
  contar com essa disponibilidade, só use essa opção se souber o que
  está fazendo. Módulos "otimizados" tem uma marcação "opt-" e são
  geralmente de menor tamanho. Futuros releases podem mudar os efeitos
  da otimização.

* Um programa não roda mais rápido quando é lido de um arquivo ".pyc"
  do que quando lido de um arquivo ".py"; a única coisa que é mais
  rápida com arquivos ".pyc" é sua velocidade de carregamento.

* O módulo "compileall" pode criar arquivos .pyc para todos os módulos
  de um diretório.

* Há mais detalhes desse processo, incluindo um fluxograma de
  decisões, no **PEP 3147**.


6.2. Módulos padrões
====================

O Python traz uma biblioteca padrão de módulos, descrita em um
documento em separado, a Referência da Biblioteca Python (doravante
“Referência da Biblioteca”). Alguns módulos estão embutidos no
interpretador; estes possibilitam acesso a operações que não são parte
do núcleo da linguagem, mas estão no interpretador seja por eficiência
ou para permitir o acesso a chamadas do sistema operacional. O
conjunto destes módulos é uma opção de configuração que depende também
da plataforma utilizada. Por exemplo, o módulo "winreg" só está
disponível em sistemas Windows. Existe um módulo que requer especial
atenção: "sys", que é embutido em qualquer interpretador Python. As
variáveis "sys.ps1" e "sys.ps2" definem as strings utilizadas como
prompt primário e secundário:

   >>> import sys
   >>> sys.ps1
   '>>> '
   >>> sys.ps2
   '... '
   >>> sys.ps1 = 'C> '
   C> print('ECA!')
   Yuck!
   C>

Essas variáveis só estão definidas se o interpretador está em modo
interativo.

A variável "sys.path" contém uma lista de strings que determina os
caminhos de busca de módulos conhecidos pelo interpretador. Ela é
inicializada para um caminho padrão, determinado pela variável de
ambiente "PYTHONPATH", ou por um valor padrão embutido, se
"PYTHONPATH" não estiver definida. Você pode modificá-la com as
operações típicas de lista, por exemplo:

   >>> import sys
   >>> sys.path.append('/ufs/guido/lib/python')


6.3. A função "dir()"
=====================

A função embutida "dir()" é usada para descobrir quais nomes são
definidos por um módulo. Ela devolve uma lista ordenada de strings:

   >>> import fibo, sys
   >>> dir(fibo)
   ['__name__', 'fib', 'fib2']
   >>> dir(sys)
   ['__breakpointhook__', '__displayhook__', '__doc__', '__excepthook__',
    '__interactivehook__', '__loader__', '__name__', '__package__', '__spec__',
    '__stderr__', '__stdin__', '__stdout__', '__unraisablehook__',
    '_clear_type_cache', '_current_frames', '_debugmallocstats', '_framework',
    '_getframe', '_git', '_home', '_xoptions', 'abiflags', 'addaudithook',
    'api_version', 'argv', 'audit', 'base_exec_prefix', 'base_prefix',
    'breakpointhook', 'builtin_module_names', 'byteorder', 'call_tracing',
    'callstats', 'copyright', 'displayhook', 'dont_write_bytecode', 'exc_info',
    'excepthook', 'exec_prefix', 'executable', 'exit', 'flags', 'float_info',
    'float_repr_style', 'get_asyncgen_hooks', 'get_coroutine_origin_tracking_depth',
    'getallocatedblocks', 'getdefaultencoding', 'getdlopenflags',
    'getfilesystemencodeerrors', 'getfilesystemencoding', 'getprofile',
    'getrecursionlimit', 'getrefcount', 'getsizeof', 'getswitchinterval',
    'gettrace', 'hash_info', 'hexversion', 'implementation', 'int_info',
    'intern', 'is_finalizing', 'last_traceback', 'last_type', 'last_value',
    'maxsize', 'maxunicode', 'meta_path', 'modules', 'path', 'path_hooks',
    'path_importer_cache', 'platform', 'prefix', 'ps1', 'ps2', 'pycache_prefix',
    'set_asyncgen_hooks', 'set_coroutine_origin_tracking_depth', 'setdlopenflags',
    'setprofile', 'setrecursionlimit', 'setswitchinterval', 'settrace', 'stderr',
    'stdin', 'stdout', 'thread_info', 'unraisablehook', 'version', 'version_info',
    'warnoptions']

Sem argumentos, "dir()" lista os nomes atualmente definidos:

   >>> a = [1, 2, 3, 4, 5]
   >>> import fibo
   >>> fib = fibo.fib
   >>> dir()
   ['__builtins__', '__name__', 'a', 'fib', 'fibo', 'sys']

Observe que ela lista todo tipo de nomes: variáveis, módulos, funções,
etc.

"dir()" não lista os nomes de variáveis e funções embutidas. Esta
lista está disponível no módulo padrão "builtins":

   >>> import builtins
   >>> dir(builtins)
   ['ArithmeticError', 'AssertionError', 'AttributeError', 'BaseException',
    'BlockingIOError', 'BrokenPipeError', 'BufferError', 'BytesWarning',
    'ChildProcessError', 'ConnectionAbortedError', 'ConnectionError',
    'ConnectionRefusedError', 'ConnectionResetError', 'DeprecationWarning',
    'EOFError', 'Ellipsis', 'EnvironmentError', 'Exception', 'False',
    'FileExistsError', 'FileNotFoundError', 'FloatingPointError',
    'FutureWarning', 'GeneratorExit', 'IOError', 'ImportError',
    'ImportWarning', 'IndentationError', 'IndexError', 'InterruptedError',
    'IsADirectoryError', 'KeyError', 'KeyboardInterrupt', 'LookupError',
    'MemoryError', 'NameError', 'None', 'NotADirectoryError', 'NotImplemented',
    'NotImplementedError', 'OSError', 'OverflowError',
    'PendingDeprecationWarning', 'PermissionError', 'ProcessLookupError',
    'ReferenceError', 'ResourceWarning', 'RuntimeError', 'RuntimeWarning',
    'StopIteration', 'SyntaxError', 'SyntaxWarning', 'SystemError',
    'SystemExit', 'TabError', 'TimeoutError', 'True', 'TypeError',
    'UnboundLocalError', 'UnicodeDecodeError', 'UnicodeEncodeError',
    'UnicodeError', 'UnicodeTranslateError', 'UnicodeWarning', 'UserWarning',
    'ValueError', 'Warning', 'ZeroDivisionError', '_', '__build_class__',
    '__debug__', '__doc__', '__import__', '__name__', '__package__', 'abs',
    'all', 'any', 'ascii', 'bin', 'bool', 'bytearray', 'bytes', 'callable',
    'chr', 'classmethod', 'compile', 'complex', 'copyright', 'credits',
    'delattr', 'dict', 'dir', 'divmod', 'enumerate', 'eval', 'exec', 'exit',
    'filter', 'float', 'format', 'frozenset', 'getattr', 'globals', 'hasattr',
    'hash', 'help', 'hex', 'id', 'input', 'int', 'isinstance', 'issubclass',
    'iter', 'len', 'license', 'list', 'locals', 'map', 'max', 'memoryview',
    'min', 'next', 'object', 'oct', 'open', 'ord', 'pow', 'print', 'property',
    'quit', 'range', 'repr', 'reversed', 'round', 'set', 'setattr', 'slice',
    'sorted', 'staticmethod', 'str', 'sum', 'super', 'tuple', 'type', 'vars',
    'zip']


6.4. Pacotes
============

Os pacotes são uma maneira de estruturar o "espaço de nomes" dos
módulos Python, usando "nomes de módulo com pontos". Por exemplo, o
nome do módulo "A.B" designa um submódulo chamado "B", em um pacote
chamado "A". Assim como o uso de módulos evita que os autores de
módulos diferentes tenham que se preocupar com nomes de variáveis
globais, o uso de nomes de módulos com pontos evita que os autores de
pacotes com muitos módulos, como NumPy ou Pillow, tenham que se
preocupar com os nomes dos módulos uns dos outros.

Suponha que você queira projetar uma coleção de módulos (um "pacote")
para o gerenciamento uniforme de arquivos de som. Existem muitos
formatos diferentes (normalmente identificados pela extensão do nome
de arquivo, por exemplo ".wav", ".aiff", ".au"), de forma que você
pode precisar criar e manter uma crescente coleção de módulos de
conversão entre formatos. Ainda podem existir muitas operações
diferentes, passíveis de aplicação sobre os arquivos de som (mixagem,
eco, equalização, efeito stereo artificial). Logo, possivelmente você
também estará escrevendo uma coleção sempre crescente de módulos para
aplicar estas operações. Eis uma possível estrutura para o seu pacote
(expressa em termos de um sistema de arquivos hierárquico):

   sound/                          pacote de nível superior
         __init__.py               Inicializa o pacote de som
         formats/                  Subpacote para as conversões entre formatos de arquivos
                 __init__.py
                 wavread.py
                 wavwrite.py
                 aiffread.py
                 aiffwrite.py
                 auread.py
                 auwrite.py
                 ...
         effects/                  Subpacote para efeitos de som
                 __init__.py
                 echo.py
                 surround.py
                 reverse.py
                 ...
         filters/                  Subpacote para filtros
                 __init__.py
                 equalizer.py
                 vocoder.py
                 karaoke.py
                 ...

Ao importar esse pacote, Python busca pelo subdiretório com mesmo
nome, nos diretórios listados em "sys.path".

Os arquivos "__init__.py" são necessários para que o Python trate
diretórios contendo o arquivo como pacotes (a menos que se esteja
usando um *pacote de espaço de nomes*, um recurso relativamente
avançado). Isso impede que diretórios com um nome comum, como
"string", ocultem, involuntariamente, módulos válidos que ocorrem
posteriormente no caminho de busca do módulo. No caso mais simples,
"__init__.py" pode ser apenas um arquivo vazio, mas pode também
executar código de inicialização do pacote, ou configurar a variável
"__all__", descrita mais adiante.

Usuários do pacote podem importar módulos individuais, por exemplo:

   import sound.effects.echo

Isso carrega o submódulo "sound.effects.echo". Ele deve ser
referenciado com seu nome completo, como em:

   sound.effects.echo.echofilter(input, output, delay=0.7, atten=4)

Uma maneira alternativa para a importação desse módulo é:

   from sound.effects import echo

Isso carrega o submódulo "echo" sem necessidade de mencionar o prefixo
do pacote no momento da utilização, assim:

   echo.echofilter(input, output, delay=0.7, atten=4)

Também é possível importar diretamente uma única variável ou função:

   from sound.effects.echo import echofilter

Novamente, isso carrega o submódulo "echo", mas a função
"echofilter()" está acessível diretamente sem prefixo:

   echofilter(input, output, delay=0.7, atten=4)

Observe que ao utilizar "from pacote import item", o item pode ser um
subpacote, submódulo, classe, função ou variável. A instrução "import"
primeiro testa se o item está definido no pacote, senão presume que é
um módulo e tenta carregá-lo. Se falhar em encontrar o módulo, uma
exceção "ImportError" é levantada.

Em oposição, em uma construção como "import item.subitem.subsubitem",
cada item, com exceção do último, deve ser um pacote. O último pode
ser também um pacote ou módulo, mas nunca uma classe, função ou
variável contida em um módulo.


6.4.1. Importando * de um pacote
--------------------------------

Agora, o que acontece quando um usuário escreve "from sound.effects
import *" ? Idealmente, poderia se esperar que este comando
vasculhasse o sistema de arquivos, encontrasse todos os submódulos
presentes no pacote, e os importasse. Isso poderia demorar muito e a
importação de submódulos pode ocasionar efeitos colaterais, que
somente deveriam ocorrer quando o submódulo é explicitamente
importado.

A única solução é o autor do pacote fornecer um índice explícito do
pacote. A instrução "import" usa a seguinte convenção: se o arquivo
"__init__.py" do pacote define uma lista chamada "__all__", então esta
lista indica os nomes dos módulos a serem importados quando a
instrução "from pacote import *" é acionada. Fica a cargo do autor do
pacote manter esta lista atualizada, inclusive fica a seu critério
excluir inteiramente o suporte a importação direta de todo o pacote
através de "from pacote import *". Por exemplo, o arquivo
"sounds/effects/__init__.py" poderia conter apenas:

   __all__ = ["echo", "surround", "reverse"]

Isso significaria que "from sound.effects import *" importaria os três
submódulos nomeados do pacote "sound.effects".

Esteja ciente de que os submódulos podem ficar sobrepostos por nomes
definidos localmente. Por exemplo, se você adicionou uma função
"reverse" ao arquivo "sound/effects/__init__.py", usar "from
sound.effects import *" só importaria os dois submódulos "echo" e
"surround", mas *não* o submódulo "reverse", porque ele fica
sobreposto pela função "reverse" definida localmente:

   __all__ = [
       "echo",      # refere-se ao arquivo 'echo.py'
       "surround",  # refere-se ao arquivo 'surround.py'
       "reverse",   # !!! refere-se à função 'reverse' agora !!!
   ]

   def reverse(msg: str):  # <-- este nome ofusca o submódulo 'reverse.py'
       return msg[::-1]    #     no caso de uma importação 'from sound.effects import *'

Se "__all__" não estiver definido, a instrução "from sound.effects
import *" não importa todos os submódulos do pacote "sound.effects" no
espaço de nomes atual. Há apenas garantia que o pacote "sound.effects"
foi importado (possivelmente executando qualquer código de
inicialização em "__init__.py") juntamente com os nomes definidos no
pacote. Isso inclui todo nome definido em "__init__.py" bem como em
qualquer submódulo importado a partir deste. Também inclui quaisquer
submódulos do pacote que tenham sido carregados explicitamente por
instruções "import" anteriores. Considere o código abaixo:

   import sound.effects.echo
   import sound.effects.surround
   from sound.effects import *

Nesse exemplo, os módulos "echo" e "surround" são importados no espaço
de nomes atual, no momento em que a instrução "from...import" é
executada, pois estão definidos no pacote "sound.effects". (Isso
também funciona quando "__all__" estiver definida.)

Apesar de que certos módulos são projetados para exportar apenas nomes
conforme algum critério quando se faz "import *", ainda assim essa
sintaxe é considerada uma prática ruim em código de produção.

Lembre-se, não há nada errado em usar "from pacote import
submodulo_especifico"! De fato, essa é a notação recomendada, a menos
que o módulo importado necessite usar submódulos com o mesmo nome, de
diferentes pacotes.


6.4.2. Referências em um mesmo pacote
-------------------------------------

Quando pacotes são estruturados em subpacotes (como no pacote "sound"
do exemplo), pode-se usar a sintaxe de importações absolutas para se
referir aos submódulos de pacotes irmãos (o que na prática é uma forma
de fazer um import relativo, a partir da base do pacote). Por exemplo,
se o módulo "sound.filters.vocoder" precisa usar o módulo "echo" do
pacote "sound.effects", é preciso importá-lo com "from sound.effects
import echo".

Também é possível escrever imports relativos, com a forma "from module
import name". Esses imports usam pontos para indicar o pacote pai e o
atual, envolvidos no import relativo. Do módulo "surround", por
exemplo, pode-se usar:

   from . import echo
   from .. import formats
   from ..filters import equalizer

Observe que as importações relativas são baseadas no nome do pacote do
módulo atual. Como o módulo principal não possui um pacote, os módulos
destinados ao uso como módulo principal de uma aplicação Python devem
sempre usar importações absolutas.


6.4.3. Pacotes em múltiplos diretórios
--------------------------------------

Pacotes possuem mais um atributo especial, "__path__". Inicializado
como uma *sequência* de strings contendo o nome do diretório onde está
o arquivo "__init__.py" do pacote, antes do código naquele arquivo ser
executado. Esta variável pode ser modificada; isso afeta a busca
futura de módulos e subpacotes contidos no pacote.

Apesar de não ser muito usado, esse mecanismo permite estender o
conjunto de módulos encontrados em um pacote.

-[ Notas de rodapé ]-

[1] [#] Na verdade, definições de funções também são 'instruções' que
    são 'executados'; a execução da definição de uma função adiciona o
    nome da função no espaço de nomes global do módulo.
