7. Instruções simples
*********************

Uma instrução simples consiste uma única linha lógica. Várias
instruções simples podem ocorrer em uma única linha separada por ponto
e vírgula. A sintaxe para instruções simples é:

   simple_stmt: expression_stmt
                | assert_stmt
                | assignment_stmt
                | augmented_assignment_stmt
                | annotated_assignment_stmt
                | pass_stmt
                | del_stmt
                | return_stmt
                | yield_stmt
                | raise_stmt
                | break_stmt
                | continue_stmt
                | import_stmt
                | future_stmt
                | global_stmt
                | nonlocal_stmt
                | type_stmt


7.1. Instruções de expressão
============================

As instruções de expressão são usadas (principalmente interativamente)
para calcular e escrever um valor, ou (geralmente) para chamar um
procedimento (uma função que não retorna nenhum resultado
significativo; em Python, os procedimentos retornam o valor "None").
Outros usos de instruções de expressão são permitidos e ocasionalmente
úteis. A sintaxe para uma instrução de expressão é:

   expression_stmt: starred_expression

Uma instrução de expressão avalia a lista de expressões (que pode ser
uma única expressão).

No modo interativo, se o valor não for "None", ele será convertido em
uma string usando a função embutida "repr()" e a string resultante
será gravada na saída padrão em uma linha sozinha (exceto se o
resultado é "None", de modo que as chamadas de procedimento não causam
nenhuma saída.)


7.2. Instruções de atribuição
=============================

As instruções de atribuição são usadas para (re)vincular nomes a
valores e modificar atributos ou itens de objetos mutáveis:

   assignment_stmt: (target_list "=")+ (starred_expression | yield_expression)
   target_list:     target ("," target)* [","]
   target:          identifier
                    | "(" [target_list] ")"
                    | "[" [target_list] "]"
                    | attributeref
                    | subscription
                    | slicing
                    | "*" target

(Veja a seção Primárias para as definições de sintaxe de
*attributeref*, *subscription* e *slicing*.)

Uma instrução de atribuição avalia a lista de expressões (lembre-se de
que pode ser uma única expressão ou uma lista separada por vírgulas, a
última produzindo uma tupla) e atribui o único objeto resultante a
cada uma das listas alvos, da esquerda para a direita.

A atribuição é definida recursivamente dependendo da forma do alvo
(lista). Quando um alvo faz parte de um objeto mutável (uma referência
de atributo, assinatura ou divisão), o objeto mutável deve, em última
análise, executar a atribuição e decidir sobre sua validade e pode
levantar uma exceção se a atribuição for inaceitável. As regras
observadas pelos vários tipos e as exceções levantadas são dadas com a
definição dos tipos de objetos (ver seção A hierarquia de tipos
padrão).

A atribuição de um objeto a uma lista alvo, opcionalmente entre
parênteses ou colchetes, é definida recursivamente da maneira a
seguir.

* Se a lista alvo contiver um único alvo sem vírgula à direita,
  opcionalmente entre parênteses, o objeto será atribuído a esse alvo.

* Senão:

  * Se a lista alvo contiver um alvo prefixado com um asterisco,
    chamado de alvo "com estrela" *(starred)*: o objeto deve ser um
    iterável com pelo menos tantos itens quantos os alvos na lista
    alvo, menos um. Os primeiros itens do iterável são atribuídos, da
    esquerda para a direita, aos alvos antes do alvo com estrela. Os
    itens finais do iterável são atribuídos aos alvos após o alvo com
    estrela. Uma lista dos itens restantes no iterável é então
    atribuída ao alvo com estrela (a lista pode estar vazia).

  * Senão: o objeto deve ser um iterável com o mesmo número de itens
    que existem alvos na lista alvos, e os itens são atribuídos, da
    esquerda para a direita, aos alvos correspondentes.

A atribuição de um objeto a um único alvo é definida recursivamente da
maneira a seguir.

* Se o alvo for um identificador (nome):

  * Se o nome não ocorrer em uma instrução "global" ou "nonlocal" no
    bloco de código atual: o nome está vinculado ao objeto no espaço
    de nomes local atual.

  * Caso contrário: o nome é vinculado ao objeto no espaço de nomes
    global global ou no espaço de nomes global externo determinado por
    "nonlocal", respectivamente.

  O nome é vinculado novamente se já estiver vinculado. Isso pode
  fazer com que a contagem de referências para o objeto anteriormente
  vinculado ao nome chegue a zero, fazendo com que o objeto seja
  desalocado e seu destrutor (se houver) seja chamado.

* Se o alvo for uma referência de atributo: a expressão primária na
  referência é avaliada. Deve produzir um objeto com atributos
  atribuíveis; se este não for o caso, a exceção "TypeError" é
  levanta. Esse objeto é então solicitado a atribuir o objeto
  atribuído ao atributo fornecido; se não puder executar a atribuição,
  ele levanta uma exceção (geralmente, mas não necessariamente
  "AttributeError").

  Nota: Se o objeto for uma instância de classe e a referência de
  atributo ocorrer em ambos os lados do operador de atribuição, a
  expressão do lado direito, "a.x" pode acessar um atributo de
  instância ou (se não existir nenhum atributo de instância) uma
  classe atributo. O alvo do lado esquerdo "a.x" é sempre definido
  como um atributo de instância, criando-o se necessário. Assim, as
  duas ocorrências de "a.x" não necessariamente se referem ao mesmo
  atributo: se a expressão do lado direito se refere a um atributo de
  classe, o lado esquerdo cria um novo atributo de instância como alvo
  da atribuição:

     class Cls:
         x = 3             # variável de classe
     inst = Cls()
     inst.x = inst.x + 1   # escreve inst.x como 4 deixando Cls.x como 3

  Esta descrição não se aplica necessariamente aos atributos do
  descritor, como propriedades criadas com "property()".

* Se o alvo for uma assinatura: a expressão primária na referência é
  avaliada. Deve produzir um objeto de sequência mutável (como uma
  lista) ou um objeto de mapeamento (como um dicionário). Em seguida,
  a expressão subscrito é avaliada.

  Se o primário for um objeto de sequência mutável (como uma lista), o
  subscrito deverá produzir um inteiro. Se for negativo, o comprimento
  da sequência é adicionado a ela. O valor resultante deve ser um
  inteiro não negativo menor que o comprimento da sequência, e a
  sequência é solicitada a atribuir o objeto atribuído ao seu item com
  esse índice. Se o índice estiver fora do intervalo, a exceção
  "IndexError" será levantada (a atribuição a uma sequência subscrita
  não pode adicionar novos itens a uma lista).

  Se o primário for um objeto de mapeamento (como um dicionário), o
  subscrito deve ter um tipo compatível com o tipo de chave do
  mapeamento, e o mapeamento é solicitado a criar um par chave/valore
  que mapeia o subscrito para o objeto atribuído. Isso pode substituir
  um par de chave/valor existente pelo mesmo valor de chave ou inserir
  um novo par de chave/valor (se não existir nenhuma chave com o mesmo
  valor).

  Para objetos definidos pelo usuário, o método "__setitem__()" é
  chamado com argumentos apropriados.

* Se o alvo for um fatiamento: a expressão primária na referência é
  avaliada. Deve produzir um objeto de sequência mutável (como uma
  lista). O objeto atribuído deve ser um objeto de sequência do mesmo
  tipo. Em seguida, as expressões de limite inferior e superior são
  avaliadas, na medida em que estiverem presentes; os padrões são zero
  e o comprimento da sequência. Os limites devem ser avaliados como
  inteiros. Se um dos limites for negativo, o comprimento da sequência
  será adicionado a ele. Os limites resultantes são cortados para
  ficarem entre zero e o comprimento da sequência, inclusive.
  Finalmente, o objeto de sequência é solicitado a substituir a fatia
  pelos itens da sequência atribuída. O comprimento da fatia pode ser
  diferente do comprimento da sequência atribuída, alterando assim o
  comprimento da sequência alvo, se a sequência alvo permitir.

Na implementação atual, a sintaxe dos alvos é considerada a mesma das
expressões e a sintaxe inválida é rejeitada durante a fase de geração
do código, causando mensagens de erro menos detalhadas.

Embora a definição de atribuição implique que as sobreposições entre o
lado esquerdo e o lado direito sejam "simultâneas" (por exemplo, "a, b
= b, a" troca duas variáveis), sobreposições *dentro* da coleção de
variáveis atribuídas ocorrem da esquerda para a direita, às vezes
resultando em confusão. Por exemplo, o programa a seguir imprime "[0,
2]":

   x = [0, 1]
   i = 0
   i, x[i] = 1, 2         # i é atualizado e, em seguida, x[i] é atualizado
   print(x)

Ver também:

  **PEP 3132** - Desempacotamento estendido de iterável
     A especificação para o recurso "*target".


7.2.1. Instruções de atribuição aumentada
-----------------------------------------

A atribuição aumentada é a combinação, em uma única instrução, de uma
operação binária e uma instrução de atribuição:

   augmented_assignment_stmt: augtarget augop (expression_list | yield_expression)
   augtarget:                 identifier | attributeref | subscription | slicing
   augop:                     "+=" | "-=" | "*=" | "@=" | "/=" | "//=" | "%=" | "**="
                              | ">>=" | "<<=" | "&=" | "^=" | "|="

(Veja a seção Primárias para as definições de sintaxe dos últimos três
símbolos.)

Uma atribuição aumentada avalia o alvo (que, diferentemente das
instruções de atribuição normais, não pode ser um desempacotamento) e
a lista de expressões, executa a operação binária específica para o
tipo de atribuição nos dois operandos e atribui o resultado ao alvo
original. O alvo é avaliado apenas uma vez.

Uma instrução de atribuição aumentada como "x += 1" pode ser reescrita
como "x = x + 1" para obter um efeito semelhante, mas não exatamente
igual. Na versão aumentada, "x" é avaliado apenas uma vez. Além disso,
quando possível, a operação real é executada *no local*, o que
significa que, em vez de criar um novo objeto e atribuí-lo ao alvo, o
objeto antigo é modificado.

Ao contrário das atribuições normais, as atribuições aumentadas
avaliam o lado esquerdo *antes* de avaliar o lado direito. Por
exemplo, "a[i] += f(x)" primeiro procura "a[i]", então avalia "f(x)" e
executa a adição e, por último, escreve o resultado de volta para
"a[i]".

Com exceção da atribuição a tuplas e vários alvos em uma única
instrução, a atribuição feita por instruções de atribuição aumentada é
tratada da mesma maneira que atribuições normais. Da mesma forma, com
exceção do possível comportamento *in-place*, a operação binária
executada por atribuição aumentada é a mesma que as operações binárias
normais.

Para alvos que são referências de atributos, a mesma advertência sobre
atributos de classe e instância se aplica a atribuições regulares.


7.2.2. instruções de atribuição anotado
---------------------------------------

A atribuição de *anotação* é a combinação, em uma única instrução, de
uma anotação de variável ou atributo e uma instrução de atribuição
opcional:

   annotated_assignment_stmt: augtarget ":" expression
                              ["=" (starred_expression | yield_expression)]

A diferença para as Instruções de atribuição normal é que apenas um
único alvo é permitido.

O alvo da atribuição é considerado "simples" se consistir em um único
nome que não esteja entre parênteses. Para alvos de atribuição
simples, se estiverem no escopo de classe ou módulo, as anotações são
reunidas em um escopo de anotação avaliado preguiçosamente. As
anotações podem ser avaliadas usando o atributo "__annotations__" de
uma classe ou módulo, ou usando os recursos do módulo "annotationlib".

Se o alvo da atribuição não for simples (um atributo, nó subscrito ou
nome entre parênteses), a anotação nunca será avaliada.

Se um nome for anotado em um escopo de função, esse nome será local
para esse escopo. As anotações nunca são avaliadas e armazenadas em
escopos de função.

Se o lado direito estiver presente, uma atribuição anotada executa a
atribuição real como se não houvesse uma anotação presente. Se o lado
direito não estiver presente para um alvo de expressão, então o
interpretador avalia o alvo, exceto para a última chamada
"__setitem__()" ou "__setattr__()".

Ver também:

  **PEP 526** - Sintaxe para Anotações de Variáveis
     A proposta que adicionou sintaxe para anotar os tipos de
     variáveis (incluindo variáveis de classe e variáveis de
     instância), em vez de expressá-las por meio de comentários.

  **PEP 484** - Dicas de tipo
     A proposta que adicionou o módulo "typing" para fornecer uma
     sintaxe padrão para anotações de tipo que podem ser usadas em
     ferramentas de análise estática e IDEs.

Alterado na versão 3.8: Agora, as atribuições anotadas permitem as
mesmas expressões no lado direito que as atribuições regulares.
Anteriormente, algumas expressões (como expressões de tupla sem
parênteses) causavam um erro de sintaxe.

Alterado na versão 3.14: As anotações agora têm avaliação preguiçosa
em um escopo de anotação separado. Se o alvo da atribuição não for
simples, as anotações nunca serão avaliadas.


7.3. A instrução "assert"
=========================

As instruções assert são uma maneira conveniente de inserir asserções
de depuração em um programa:

   assert_stmt: "assert" expression ["," expression]

A forma simples, "assert expression", é equivalente a

   if __debug__:
       if not expression: raise AssertionError

A forma estendida, "assert expression1, expression2", é equivalente a

   if __debug__:
       if not expression1: raise AssertionError(expression2)

Essas equivalências presumem que "__debug__" e "AssertionError"
referem-se às variáveis embutidas com esses nomes. Na implementação
atual, a variável embutida "__debug__" é "True" em circunstâncias
normais, "False" quando a otimização é solicitada (opção de linha de
comando "-O"). O gerador de código atual não emite código para uma
instrução "assert" quando a otimização é solicitada em tempo de
compilação. Observe que não é necessário incluir o código-fonte da
expressão que falhou na mensagem de erro; ele será exibido como parte
do stack trace (situação da pilha de execução).

Atribuições a "__debug__" são ilegais. O valor da variável embutida é
determinado quando o interpretador é iniciado.


7.4. A instrução "pass"
=======================

   pass_stmt: "pass"

"pass" é uma operação nula --- quando é executada, nada acontece. É
útil como um espaço reservado quando uma instrução é necessária
sintaticamente, mas nenhum código precisa ser executado, por exemplo:

   def f(arg): pass    # uma função que faz nada (ainda)

   class C: pass       # uma classe com nenhum método (ainda)


7.5. A instrução "del"
======================

   del_stmt: "del" target_list

A exclusão é definida recursivamente de maneira muito semelhante à
maneira como a atribuição é definida. Em vez de explicar em detalhes,
aqui estão algumas dicas.

A exclusão de uma lista alvo exclui recursivamente cada alvo, da
esquerda para a direita.

A exclusão de um nome remove a ligação desse nome do espaço de nomes
local ou global, dependendo se o nome ocorre em uma instrução "global"
no mesmo bloco de código. Tentar excluir um nome  desvinculado levanta
uma exceção "NameError".

A exclusão de referências de atributos, assinaturas e fatias é passada
para o objeto principal envolvido; a exclusão de um fatiamento é em
geral equivalente à atribuição de uma fatia vazia do tipo certo (mas
mesmo isso é determinado pelo objeto fatiado).

Alterado na versão 3.2: Anteriormente, era ilegal excluir um nome do
espaço de nomes local se ele ocorresse como uma variável livre em um
bloco aninhado.


7.6. A instrução "return"
=========================

   return_stmt: "return" [expression_list]

"return" só pode ocorrer sintaticamente aninhado em uma definição de
função, não em uma definição de classe aninhada.

Se uma lista de expressões estiver presente, ela será avaliada, caso
contrário, "None" será substituído.

"return" deixa a chamada da função atual com a lista de expressões (ou
"None") como valor de retorno.

Quando "return" passa o controle de uma instrução "try" com uma
cláusula "finally", essa cláusula "finally" é executada antes de
realmente sair da função.

Em uma função geradora, a instrução "return" indica que o gerador está
pronto e fará com que "StopIteration" seja gerado. O valor retornado
(se houver) é usado como argumento para construir "StopIteration" e se
torna o atributo "StopIteration.value".

Em uma função de gerador assíncrono, uma instrução "return" vazia
indica que o gerador assíncrono está pronto e fará com que
"StopAsyncIteration" seja gerado. Uma instrução "return" não vazia é
um erro de sintaxe em uma função de gerador assíncrono.


7.7. A instrução "yield"
========================

   yield_stmt: yield_expression

Uma instrução "yield" é semanticamente equivalente a uma expressão
yield. A instrução "yield" pode ser usada para omitir os parênteses
que, de outra forma, seriam necessários na instrução de expressão
yield equivalente. Por exemplo, as instruções yield

   yield <expr>
   yield from <expr>

são equivalentes às instruções de expressão yield

   (yield <expr>)
   (yield from <expr>)

Expressões e instruções yield são usadas apenas ao definir uma função
*geradora* e são usadas apenas no corpo da função geradora. Usar
"yield" em uma definição de função é suficiente para fazer com que
essa definição crie uma função geradora em vez de uma função normal.

Para detalhes completos da semântica "yield", consulte a seção
Expressões yield.


7.8. A instrução "raise"
========================

   raise_stmt: "raise" [expression ["from" expression]]

Se nenhuma expressão estiver presente, "raise" reativa a exceção que
está sendo tratada no momento, que também é conhecida como *exceção
ativa*. Se não houver uma exceção ativa no momento, uma exceção
"RuntimeError" é levantada indicando que isso é um erro.

Caso contrário, "raise" avalia a primeira expressão como o objeto de
exceção. Deve ser uma subclasse ou uma instância de "BaseException".
Se for uma classe, a instância de exceção será obtida quando
necessário instanciando a classe sem argumentos.

O *tipo* da exceção é a classe da instância de exceção, o *valor* é a
própria instância.

Um objeto traceback (situação da pilha de execução) normalmente é
criado automaticamente quando uma exceção é levantada e anexada a ele
como o atributo "__traceback__". Você pode criar uma exceção e definir
seu próprio traceback em uma etapa usando o método de exceção
"with_traceback()" (que retorna a mesma instância de exceção, com seu
traceback definido para seu argumento), assim:

   raise Exception("ocorreu foo").with_traceback(tracebackobj)

A cláusula "from" é usada para encadeamento de exceções: se fornecida,
a segunda expressão, *expression*, deve ser outra classe ou instância
de exceção. Se a segunda expressão for uma instância de exceção, ela
será anexada à exceção levantada como o atributo "__cause__" (que é
gravável). Se a expressão for uma classe de exceção, a classe será
instanciada e a instância de exceção resultante será anexada à exceção
levantada como o atributo "__cause__". Se a exceção levantada não for
tratada, ambas as exceções serão impressas:

   >>> try:
   ...     print(1 / 0)
   ... except Exception as exc:
   ...     raise RuntimeError("Something bad happened") from exc
   ...
   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 2, in <module>
       print(1 / 0)
             ~~^~~
   ZeroDivisionError: division by zero

   The above exception was the direct cause of the following exception:

   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 4, in <module>
       raise RuntimeError("Something bad happened") from exc
   RuntimeError: Something bad happened

Um mecanismo semelhante funciona implicitamente se uma nova exceção
for levantada quando uma exceção já estiver sendo tratada. Uma exceção
pode ser tratada quando uma cláusula "except" ou "finally", ou uma
instrução "with", é usada. A exceção anterior é então anexada como o
atributo "__context__" da nova exceção:

   >>> try:
   ...     print(1 / 0)
   ... except:
   ...     raise RuntimeError("Something bad happened")
   ...
   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 2, in <module>
       print(1 / 0)
             ~~^~~
   ZeroDivisionError: division by zero

   During handling of the above exception, another exception occurred:

   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 4, in <module>
       raise RuntimeError("Something bad happened")
   RuntimeError: Something bad happened

O encadeamento de exceção pode ser explicitamente suprimido
especificando "None" na cláusula "from":

   >>> try:
   ...     print(1 / 0)
   ... except:
   ...     raise RuntimeError("Something bad happened") from None
   ...
   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 4, in <module>
   RuntimeError: Something bad happened

Informações adicionais sobre exceções podem ser encontradas na seção
Exceções, e informações sobre como lidar com exceções estão na seção A
instrução try.

Alterado na versão 3.3: "None" agora é permitido como "Y" em "raise X
from Y".Adicionado o atributo "__suppress_context__" para suprimir a
exibição automática do contexto de exceção.

Alterado na versão 3.11: Se o traceback da exceção ativa for
modificado em uma cláusula "except", uma instrução "raise" subsequente
levantará novamente a exceção com o traceback modificado.
Anteriormente, a exceção era levantada novamente com o traceback que
tinha quando foi capturada.


7.9. A instrução "break"
========================

   break_stmt: "break"

"break" só pode ocorrer sintaticamente aninhado em um laço "for" ou
"while", mas não aninhado em uma função ou definição de classe dentro
desse laço.

Ele termina o laço de fechamento mais próximo, pulando a cláusula
opcional "else" se o laço tiver uma.

Se um laço "for" é encerrado por "break", o alvo de controle do laço
mantém seu valor atual.

Quando "break" passa o controle de uma instrução "try" com uma
cláusula "finally", essa cláusula "finally" é executada antes de
realmente sair do laço.


7.10. A instrução "continue"
============================

   continue_stmt: "continue"

"continue" só pode ocorrer sintaticamente aninhado em um laço "for" ou
"while", mas não aninhado em uma função ou definição de classe dentro
desse laço. Ele continua com o próximo ciclo do laço de fechamento
mais próximo.

Quando "continue" passa o controle de uma instrução "try" com uma
cláusula "finally", essa cláusula "finally" é executada antes
realmente iniciar o próximo ciclo do laço.


7.11. A instrução "import"
==========================

   import_stmt:     "import" module ["as" identifier] ("," module ["as" identifier])*
                    | "from" relative_module "import" identifier ["as" identifier]
                    ("," identifier ["as" identifier])*
                    | "from" relative_module "import" "(" identifier ["as" identifier]
                    ("," identifier ["as" identifier])* [","] ")"
                    | "from" relative_module "import" "*"
   module:          (identifier ".")* identifier
   relative_module: "."* module | "."+

A instrução de importação básica (sem cláusula "from") é executada em
duas etapas:

1. encontra um módulo, carregando e inicializando-o se necessário

2. define um nome ou nomes no espaço de nomes local para o escopo onde
   ocorre a instrução "import".

Quando a instrução contém várias cláusulas (separadas por vírgulas),
as duas etapas são executadas separadamente para cada cláusula, como
se as cláusulas tivessem sido separadas em instruções de importação
individuais.

Os detalhes da primeira etapa, encontrar e carregar módulos, estão
descritos com mais detalhes na seção sobre o sistema de importação,
que também descreve os vários tipos de pacotes e módulos que podem ser
importados, bem como todos os os ganchos que podem ser usados para
personalizar o sistema de importação. Observe que falhas nesta etapa
podem indicar que o módulo não pôde ser localizado *ou* que ocorreu um
erro durante a inicialização do módulo, o que inclui a execução do
código do módulo.

Se o módulo solicitado for recuperado com sucesso, ele será
disponibilizado no espaço de nomes local de três maneiras:

* Se o nome do módulo é seguido pela palavra reservada "as", o nome a
  seguir é vinculado diretamente ao módulo importado.

* Se nenhum outro nome for especificado e o módulo que está sendo
  importado for um módulo de nível superior, o nome do módulo será
  vinculado ao espaço de nomes local como uma referência ao módulo
  importado

* Se o módulo que está sendo importado *não* for um módulo de nível
  superior, o nome do pacote de nível superior que contém o módulo
  será vinculado ao espaço de nomes local como uma referência ao
  pacote de nível superior. O módulo importado deve ser acessado
  usando seu nome completo e não diretamente

O formulário "from" usa um processo um pouco mais complexo:

1. encontra o módulo especificado na cláusula "from", carregando e
   inicializando-o se necessário;

2. para cada um dos identificadores especificados nas cláusulas
   "import":

   1. verifica se o módulo importado tem um atributo com esse nome

   2. caso contrário, tenta importar um submódulo com esse nome e
      verifica o módulo importado novamente para esse atributo

   3. se o atributo não for encontrado, a exceção "ImportError" é
      levantada.

   4. caso contrário, uma referência a esse valor é armazenada no
      espaço de nomes local, usando o nome na cláusula "as" se estiver
      presente, caso contrário, usando o nome do atributo

Exemplos:

   import foo                 # foo importado e vinculado localmente
   import foo.bar.baz         # foo, foo.bar e foo.bar.baz importados, foo vinculado localmente
   import foo.bar.baz as fbb  # foo, foo.bar e foo.bar.baz importados, foo.bar.baz vinculado como fbb
   from foo.bar import baz    # foo, foo.bar e foo.bar.baz importados, foo.bar.baz vinculado como baz
   from foo import attr       # foo importado e foo.attr vinculado como attr

Se a lista de identificadores for substituída por uma estrela ("'*'"),
todos os nomes públicos definidos no módulo serão vinculados ao espaço
de nomes local para o escopo onde ocorre a instrução "import".

Os *nomes públicos* definidos por um módulo são determinados
verificando o espaço de nomes do módulo para uma variável chamada
"__all__"; se definido, deve ser uma sequência de strings que são
nomes definidos ou importados por esse módulo. Os nomes dados em
"__all__" são todos considerados públicos e devem existir. Se
"__all__" não estiver definido, o conjunto de nomes públicos inclui
todos os nomes encontrados no espaço de nomes do módulo que não
começam com um caractere sublinhado ("'_'"). "__all__" deve conter
toda a API pública. Destina-se a evitar a exportação acidental de
itens que não fazem parte da API (como módulos de biblioteca que foram
importados e usados no módulo).

A forma curinga de importação --- "from module import *" --- só é
permitida no nível do módulo. Tentar usá-lo em definições de classe ou
função irá levantar uma "SyntaxError".

Ao especificar qual módulo importar, você não precisa especificar o
nome absoluto do módulo. Quando um módulo ou pacote está contido em
outro pacote, é possível fazer uma importação relativa dentro do mesmo
pacote superior sem precisar mencionar o nome do pacote. Usando pontos
iniciais no módulo ou pacote especificado após "from" você pode
especificar quão alto percorrer a hierarquia de pacotes atual sem
especificar nomes exatos. Um ponto inicial significa o pacote atual
onde o módulo que faz a importação existe. Dois pontos significam um
nível de pacote acima. Três pontos são dois níveis acima, etc. Então,
se você executar "from . import mod" de um módulo no pacote "pkg"
então você acabará importando o "pkg.mod". Se você executar "from
..subpkg2 import mod" de dentro de "pkg.subpkg1" você irá importar
"pkg.subpkg2.mod". A especificação para importações relativas está
contida na seção Importações relativas ao pacote.

"importlib.import_module()" é fornecida para dar suporte a aplicações
que determinam dinamicamente os módulos a serem carregados.

Levanta um evento de auditoria "import" com os argumentos "module",
"filename", "sys.path", "sys.meta_path", "sys.path_hooks".


7.11.1. Instruções future
-------------------------

Uma *instrução future* é uma diretiva para o compilador de que um
determinado módulo deve ser compilado usando sintaxe ou semântica que
estará disponível em uma versão futura especificada do Python, onde o
recurso se tornará padrão.

A instrução future destina-se a facilitar a migração para versões
futuras do Python que introduzem alterações incompatíveis na
linguagem. Ele permite o uso dos novos recursos por módulo antes do
lançamento em que o recurso se torna padrão.

   future_stmt: "from" "__future__" "import" feature ["as" identifier]
                ("," feature ["as" identifier])*
                | "from" "__future__" "import" "(" feature ["as" identifier]
                ("," feature ["as" identifier])* [","] ")"
   feature:     identifier

Uma instrução future deve aparecer perto do topo do módulo. As únicas
linhas que podem aparecer antes de uma instrução future são:

* o módulo docstring (se houver),

* comentários,

* linhas vazias e

* outras instruções future.

O único recurso que requer o uso da instrução future é "annotations"
(veja **PEP 563**).

Todos os recursos históricos habilitados pela instrução future ainda
são reconhecidos pelo Python 3. A lista inclui "absolute_import",
"division", "generators", "generator_stop", "unicode_literals",
"print_function", "nested_scopes" e "with_statement". Eles são todos
redundantes porque estão sempre habilitados e mantidos apenas para
compatibilidade com versões anteriores.

Uma instrução future é reconhecida e tratada especialmente em tempo de
compilação: as alterações na semântica das construções principais são
frequentemente implementadas gerando código diferente. Pode até ser o
caso de um novo recurso introduzir uma nova sintaxe incompatível (como
uma nova palavra reservada), caso em que o compilador pode precisar
analisar o módulo de maneira diferente. Tais decisões não podem ser
adiadas até o tempo de execução.

Para qualquer versão, o compilador sabe quais nomes de recursos foram
definidos e levanta um erro em tempo de compilação se uma instrução
future contiver um recurso desconhecido.

A semântica do tempo de execução direto é a mesma de qualquer
instrução de importação: existe um módulo padrão "__future__",
descrito posteriormente, e será importado da maneira usual no momento
em que a instrução future for executada.

A semântica interessante do tempo de execução depende do recurso
específico ativado pela instrução future.

Observe que não há nada de especial sobre a instrução:

   import __future__ [as name]

Essa não é uma instrução future; é uma instrução de importação comum
sem nenhuma semântica especial ou restrições de sintaxe.

O código compilado por chamadas para as funções embutidas "exec()" e
"compile()" que ocorrem em um módulo "M" contendo uma instrução future
usará, por padrão, a nova sintaxe ou semântica associada com a
instrução future. Isso pode ser controlado por argumentos opcionais
para "compile()" -- veja a documentação dessa função para detalhes.

Uma instrução future tipada digitada em um prompt do interpretador
interativo terá efeito no restante da sessão do interpretador. Se um
interpretador for iniciado com a opção "-i", for passado um nome de
script para ser executado e o script incluir uma instrução future, ela
entrará em vigor na sessão interativa iniciada após a execução do
script.

Ver também:

  **PEP 236** - De volta ao __future__
     A proposta original para o mecanismo do __future__.


7.12. A instrução "global"
==========================

   global_stmt: "global" identifier ("," identifier)*

A instrução "global" faz com que os identificadores listados a serem
interpretados como globais. Seria impossível atribuir a uma variável
global sem "global", embora variáveis livres possam se referir a
globais sem serem declaradas globais.

A instrução "global" se aplica a todo o escopo atual (módulo, corpo da
função ou definição de classe). Uma exceção "SyntaxError" é levantada
se uma variável for usada ou atribuída antes de sua declaração global
no escopo.

No nível do módulo, todas as variáveis são globais, portanto, uma
instrução "global" não tem efeito. No entanto, as variáveis ainda não
devem ser usadas ou atribuídas antes de sua declaração "global". Este
requisito é flexibilizado no prompt interativo (*REPL*).

**Nota do programador:** "global" é uma diretiva para o analisador
sintático. Aplica-se apenas ao código analisado ao mesmo tempo que a
instrução "global". Em particular, uma instrução "global" contida em
uma string ou objeto código fornecido à função embutida "exec()" não
afeta o bloco de código *contendo* a chamada da função e o código
contido em tal uma string não é afetada por instruções "global" no
código que contém a chamada da função. O mesmo se aplica às funções
"eval()" e "compile()".


7.13. A instrução "nonlocal"
============================

   nonlocal_stmt: "nonlocal" identifier ("," identifier)*

Quando a definição de uma função ou classe está aninhada (incluída)
nas definições de outras funções, seus escopos não locais são os
escopos locais das funções envolventes. A instrução "nonlocal" faz com
que os identificadores listados se refiram a nomes previamente
vinculados a escopos não locais. Ele permite que o código encapsulado
religue esses identificadores não locais. Se um nome estiver ligado a
mais de um escopo não local, a ligação mais próxima será usada. Se um
nome não estiver vinculado a nenhum escopo não local, ou se não houver
escopo não local, uma exceção "SyntaxError" será levantada.

A instrução "nonlocal" se aplica a todo o escopo de uma função ou
corpo da classe. Uma exceção "SyntaxError" é levantada se uma variável
for usada ou atribuída antes de sua declaração nonlocal no escopo.

Ver também:

  **PEP 3104** - Acesso a nomes em escopos externos
     A especificação para a instrução "nonlocal".

**Nota do programador:** "nonlocal" é uma diretiva para o analisador
sintático e se aplica apenas ao código analisado junto com ele. Veja a
nota para a instrução "global".


7.14. A instrução "type"
========================

   type_stmt: 'type' identifier [type_params] "=" expression

A instrução "type" declara um apelido de tipo, que é uma instância de
"typing.TypeAliasType".

Por exemplo, a instrução a seguir cria um apelido de tipo:

   type Point = tuple[float, float]

Este código é aproximadamente equivalente a:

   annotation-def VALUE_OF_Point():
       return tuple[float, float]
   Point = typing.TypeAliasType("Point", VALUE_OF_Point())

"annotation-def" indica um escopo de anotação, que se comporta
principalmente como uma função, mas com diversas pequenas diferenças.

O valor do apelido de tipo é avaliado no escopo de anotação. Ele não é
avaliado quando o apelido de tipo é criado, mas somente quando o valor
é acessado através do atributo "__value__" do apelido de tipo (veja
Avaliação preguiçosa). Isso permite que o apelido de tipo se refira a
nomes que ainda não estão definidos.

Apelidos de tipo podem se tornar genéricos adicionando uma lista de
parâmetros de tipo após o nome. Veja Apelidos de tipo genérico para
mais.

"type" é uma palavra reservada contextual.

Adicionado na versão 3.12.

Ver também:

  **PEP 695** - Sintaxe de parâmetros de tipo
     Introduziu a instrução "type" e sintaxe para classes e funções
     genéricas.
