8. Erros e exceções
*******************

Até agora mensagens de erro foram apenas mencionadas, mas se você
testou os exemplos, talvez tenha esbarrado em algumas. Existem pelo
menos dois tipos distintos de erros: *erros de sintaxe* e *exceções*.


8.1. Erros de sintaxe
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Erros de sintaxe, também conhecidos como erros de parse, são
provavelmente os mais frequentes entre aqueles que ainda estão
aprendendo Python:

   >>> while True print('Hello world')
     File "<stdin>", line 1
       while True print('Hello world')
                      ^
   SyntaxError: invalid syntax

O parser repete a linha inválida e apresenta uma pequena 'seta'
apontando para o ponto da linha em que o erro foi encontrado. O erro é
causado (ou ao menos detectado) pelo token que *precede* a seta: no
exemplo, o erro foi detectado na função "print()", uma vez que o dois-
pontos ("':'") está faltando antes dela. O nome de arquivo e número de
linha são exibidos para que você possa rastrear o erro no texto do
script.


8.2. Exceções
=============

Mesmo que um comando ou expressão estejam sintaticamente corretos,
talvez ocorra um erro na hora de sua execução. Erros detectados
durante a execução são chamados *exceções* e não são necessariamente
fatais: logo veremos como tratá-las em programas Python. A maioria das
exceções não são tratadas pelos programas e acabam resultando em
mensagens de erro:

   >>> 10 * (1/0)
   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 1, in <module>
   ZeroDivisionError: division by zero
   >>> 4 + spam*3
   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 1, in <module>
   NameError: name 'spam' is not defined
   >>> '2' + 2
   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 1, in <module>
   TypeError: Can't convert 'int' object to str implicitly

A última linha da mensagem de erro indica o que aconteceu. Exceções
surgem com diferentes tipos, e o tipo é exibido como parte da
mensagem: os tipos no exemplo são "ZeroDivisionError", "NameError" e
"TypeError". A string exibida como sendo o tipo da exceção é o nome
interno da exceção que ocorreu. Isso é verdade para todas exceções
pré-definidas em Python, mas não é necessariamente verdade para
exceções definidas pelo usuário (embora seja uma convenção útil). Os
nomes das exceções padrões são identificadores embutidos (não palavras
reservadas).

O resto da linha é um detalhamento que depende do tipo da exceção
ocorrida e sua causa.

A parte anterior da mensagem de erro apresenta o contexto onde ocorreu
a exceção. Essa informação é denominada *stack traceback* (situação da
pilha de execução). Em geral, contém uma lista de linhas do código
fonte, sem apresentar, no entanto, linhas lidas da entrada padrão.

Exceções embutidas lista as exceções pré-definidas e seus
significados.


8.3. Tratamento de exceções
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É possível escrever programas que tratam exceções específicas. Observe
o exemplo seguinte, que pede dados ao usuário até que um inteiro
válido seja fornecido, ainda permitindo que o programa seja
interrompido (utilizando "Control-C" ou seja lá o que for que o
sistema operacional suporte); note que uma interrupção gerada pelo
usuário será sinalizada pela exceção "KeyboardInterrupt".

   >>> while True:
   ...     try:
   ...         x = int(input("Please enter a number: "))
   ...         break
   ...     except ValueError:
   ...         print("Oops!  That was no valid number.  Try again...")
   ...

A instrução "try" funciona da seguinte maneira:

* First, the *try clause* (the statement(s) between the "try" and
  "except" keywords) is executed.

* Se nenhuma exceção ocorrer, a *cláusula except* é ignorada e a
  execução da instrução "try" é finalizada.

* Se ocorrer uma execução durante a execução da cláusula try, as
  instruções remanescentes na cláusula são ignoradas. Se o tipo da
  exceção ocorrida tiver sido previsto em algum "except", então essa
  cláusula será executada. Depois disso, a execução continua na
  próxima instrução após o conjunto *try/except*.

* Se a exceção levantada não foi prevista em nenhuma cláusula "except"
  da cláusula "try" em que ocorreu, então ela é entregue a uma
  instrução "try" mais externa. Se não existir nenhum tratador
  previsto para tal exceção, será uma *exceção não tratada* e a
  execução do programa termina com uma mensagem de erro.

A instrução "try" pode ter mais de uma cláusula "except" para
especificar múltiplos tratadores para diferentes exceções. No máximo
um único tratador será ativado. Tratadores só são sensíveis às
exceções levantadas no interior da cláusula try, e não às que tenham
ocorrido no interior de outro tratador numa mesma instrução "try". Um
tratador pode ser sensível a múltiplas exceções, desde que as
especifique em uma tupla:

   ... except (RuntimeError, TypeError, NameError):
   ...     pass

Em uma cláusula "except", uma classe é compatível com a exceção
levantada se é a mesma classe ou uma classe ancestral dela (mas não o
contrário: uma cláusula "except" que menciona uma classe derivada
daquela que foi levantada não vai capturar tal exceção). No exemplo a
seguir será exibido B, C e D nessa ordem:

   class B(Exception):
       pass

   class C(B):
       pass

   class D(C):
       pass

   for cls in [B, C, D]:
       try:
           raise cls()
       except D:
           print("D")
       except C:
           print("C")
       except B:
           print("B")

Se a ordem das cláusulas fosse invertida ("except B" no início), seria
exibido B, B, B --- somente a primeira cláusula "except" compatível é
ativada.

A última cláusula "except" pode omitir o nome da exceção, funcionando
como um curinga. Utilize esse recurso com extrema cautela, uma vez que
isso pode esconder erros do programador e do usuário! Também pode ser
utilizado para exibir uma mensagem de erro e então re-levantar a
exceção (permitindo que o invocador da função atual também possa
tratá-la):

   import sys

   try:
       f = open('myfile.txt')
       s = f.readline()
       i = int(s.strip())
   except OSError as err:
       print("OS error: {0}".format(err))
   except ValueError:
       print("Could not convert data to an integer.")
   except:
       print("Unexpected error:", sys.exc_info()[0])
       raise

A construção "try" ... "except" possui uma *cláusula else* opcional,
que quando presente, deve ser colocada depois de todas as outras
cláusulas. É útil para um código que precisa ser executado se nenhuma
exceção foi levantada. Por exemplo:

   for arg in sys.argv[1:]:
       try:
           f = open(arg, 'r')
       except OSError:
           print('cannot open', arg)
       else:
           print(arg, 'has', len(f.readlines()), 'lines')
           f.close()

Esse recurso é melhor do que simplesmente adicionar o código da
cláusula "else" ao corpo da cláusula "try", pois mantém as exceções
levantadas no "else" num escopo diferente de tratamento das exceções
levantadas na cláusula "try", evitando que acidentalmente seja tratada
uma exceção que não foi levantada pelo código protegido pela
construção "try" ... "except".

Quando uma exceção ocorre, ela pode estar associada a um valor chamado
*argumento* da exceção. A presença e o tipo do argumento dependem do
tipo da exceção.

A cláusula except pode especificar uma variável depois do nome (ou da
tupla de nomes) da exceção. A variável é associada à instância de
exceção capturada, com os argumentos armazenados em "instancia.args".
Por conveniência, a instância define o método "__str__()" para que os
argumentos possam ser exibidos diretamente sem necessidade de acessar
".args". Pode-se também instanciar uma exceção antes de levantá-la e
adicionar qualquer atributo a ela, conforme desejado.

   >>> try:
   ...     raise Exception('spam', 'eggs')
   ... except Exception as inst:
   ...     print(type(inst))    # the exception instance
   ...     print(inst.args)     # arguments stored in .args
   ...     print(inst)          # __str__ allows args to be printed directly,
   ...                          # but may be overridden in exception subclasses
   ...     x, y = inst.args     # unpack args
   ...     print('x =', x)
   ...     print('y =', y)
   ...
   <class 'Exception'>
   ('spam', 'eggs')
   ('spam', 'eggs')
   x = spam
   y = eggs

Caso uma exceção tenha argumentos, os mesmos serão impressos como a
última parte ('detalhe') da mensagem para as exceções não tratadas.

Além disso, tratadores de exceção são capazes de capturar exceções que
tenham sido levantadas no interior de funções invocadas (mesmo que
indiretamente) na cláusula try. Por exemplo:

   >>> def this_fails():
   ...     x = 1/0
   ...
   >>> try:
   ...     this_fails()
   ... except ZeroDivisionError as err:
   ...     print('Handling run-time error:', err)
   ...
   Handling run-time error: division by zero


8.4. Levantando exceções
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A instrução "raise" permite ao programador forçar a ocorrência de um
determinado tipo de exceção. Por exemplo:

   >>> raise NameError('HiThere')
   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 1, in <module>
   NameError: HiThere

O argumento de "raise" indica a exceção a ser levantada. Esse
argumento deve ser uma instância de exceção ou uma classe de exceção
(uma classe que deriva de "Exception"). Se uma classe de exceção for
passada, será implicitamente instanciada invocando o seu construtor
sem argumentos:

   raise ValueError  # shorthand for 'raise ValueError()'

Caso você precise determinar se uma exceção foi levantada ou não, mas
não quer manipular o erro, uma forma simples de instrução "raise"
permite que você levante-a novamente:

   >>> try:
   ...     raise NameError('HiThere')
   ... except NameError:
   ...     print('An exception flew by!')
   ...     raise
   ...
   An exception flew by!
   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 2, in <module>
   NameError: HiThere


8.5. Exceções definidas pelo usuário
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Programas podem definir novos tipos de exceções, através da criação de
uma nova classe (veja Classes para mais informações sobre classes
Python). Exceções devem ser derivadas da classe "Exception", direta ou
indiretamente.

Classes de exceções podem ser definidas para fazer qualquer coisa que
qualquer outra classe faz, mas em geral são bem simples,
frequentemente oferecendo apenas alguns atributos que fornecem
informações sobre o erro que ocorreu. Ao criar um módulo que pode
gerar diversos erros, uma prática comum é criar uma classe base para
as exceções definidas por aquele módulo, e as classes específicas para
cada condição de erro como subclasses dela:

   class Error(Exception):
       """Base class for exceptions in this module."""
       pass

   class InputError(Error):
       """Exception raised for errors in the input.

       Attributes:
           expression -- input expression in which the error occurred
           message -- explanation of the error
       """

       def __init__(self, expression, message):
           self.expression = expression
           self.message = message

   class TransitionError(Error):
       """Raised when an operation attempts a state transition that's not
       allowed.

       Attributes:
           previous -- state at beginning of transition
           next -- attempted new state
           message -- explanation of why the specific transition is not allowed
       """

       def __init__(self, previous, next, message):
           self.previous = previous
           self.next = next
           self.message = message

É comum que novas exceções sejam definidas com nomes terminando em
"Error", semelhante a muitas exceções embutidas.

Muitos módulos padrão definem novas exceções para reportar erros que
ocorrem no interior das funções que definem. Mais informações sobre
classes aparecem no capítulo Classes.


8.6. Definindo ações de limpeza
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A instrução "try" possui outra cláusula opcional, cuja finalidade é
permitir a implementação de ações de limpeza, que sempre devem ser
executadas independentemente da ocorrência de exceções. Como no
exemplo:

   >>> try:
   ...     raise KeyboardInterrupt
   ... finally:
   ...     print('Goodbye, world!')
   ...
   Goodbye, world!
   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 2, in <module>
   KeyboardInterrupt

Uma *cláusula finally* é sempre executada, ocorrendo ou não uma
exceção. Quando ocorre uma exceção na cláusula "try" e ela não é
tratada por uma cláusula "except" (ou quando ocorre em cláusulas
"except" ou "else"), ela é re-levantada depois que a cláusula
"finally" é executada. A cláusula "finally" é executada "na saída"
quando qualquer outra cláusula da instrução "try" é finalizada, mesmo
que seja por meio de qualquer uma das instruções "break", "continue"
ou "return". Um exemplo mais completo:

   >>> def divide(x, y):
   ...     try:
   ...         result = x / y
   ...     except ZeroDivisionError:
   ...         print("division by zero!")
   ...     else:
   ...         print("result is", result)
   ...     finally:
   ...         print("executing finally clause")
   ...
   >>> divide(2, 1)
   result is 2.0
   executing finally clause
   >>> divide(2, 0)
   division by zero!
   executing finally clause
   >>> divide("2", "1")
   executing finally clause
   Traceback (most recent call last):
     File "<stdin>", line 1, in <module>
     File "<stdin>", line 3, in divide
   TypeError: unsupported operand type(s) for /: 'str' and 'str'

Como você pode ver, a cláusula "finally" é executado em todos os
casos. A exceção "TypeError" levantada pela divisão de duas strings
não é tratada pela cláusula "except" e portanto é re-levantada depois
que a cláusula "finally" é executada.

Em aplicação do mundo real, a cláusula "finally" é útil para liberar
recursos externos (como arquivos ou conexões de rede),
independentemente do uso do recurso ter sido bem sucedido ou não.


8.7. Ações de limpeza predefinidas
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Alguns objetos definem ações de limpeza padrões para serem executadas
quando o objeto não é mais necessário, independentemente da operação
que estava usando o objeto ter sido ou não bem sucedida. Veja o
exemplo a seguir, que tenta abrir um arquivo e exibir seu conteúdo na
tela.

   for line in open("myfile.txt"):
       print(line, end="")

O problema com esse código é que ele deixa o arquivo aberto um período
indeterminado depois que o código é executado. Isso não chega a ser
problema em scripts simples, mas pode ser um problema para grandes
aplicações. A palavra reservada "with" permite que objetos como
arquivos sejam utilizados com a certeza de que sempre serão
prontamente e corretamente finalizados.

   with open("myfile.txt") as f:
       for line in f:
           print(line, end="")

Depois que a instrução é executada, o arquivo *f* é sempre fechado,
mesmo se ocorrer um problema durante o processamento das linhas.
Outros objetos que, como arquivos, fornecem ações de limpeza
predefinidas as indicarão em suas documentações.
